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Rio é a capital com maior índice de informalidade do Brasil, aponta pesquisa da FGV Social

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Rio é a capital com maior índice de informalidade do Brasil, aponta pesquisa da FGV Social

Segundo o levantamento, a informalidade aumentou em todo o país, mas foi maior no Rio. Sem renda e sem conseguir acesso ao auxílio do governo, ambulantes contam com a ajuda de terceiros.

 

Por Chico Regueira, RJ1

05/06/2020 13h46  Atualizado há 22 minutos

Rio é a capital com maior índice de informalidade do Brasil, aponta pesquisa da FGV Social

Rio é a capital com maior índice de informalidade do Brasil, aponta pesquisa da FGV Social

 

Uma pesquisa da FGV Social mostrou que o Rio de Janeiro é a capital com o maior índice de informalidade do Brasil. Sem poder trabalhar por causa da pandemia do cornavírus e sem conseguir auxílio do governo, o número desses trabalhadores invisíveis só aumenta.

 

"Eu sou ambulante, né. O ambulante ele vive daquilo que ele produz no dia. Se ele vendeu R$ 1, é R$ 1 que ele tem no bolso. Assim que veio essa pandemia, eu estou praticamente há dois meses e dez dias sem trabalhar. Eu fiquei desesperada, porque eu não sabia o que fazer. Me pegou desprevenida”, disse Ana Cristina Araújo, que é camelô.

 

Segundo o levantamento da FGV, o índice de informalidade no Rio é próximo de capitais como Aracajú, em Sergipe, e Belém, Maranhão, e distante da capital paulista.

 

“Existem três Rios. Tem o estado, tem o município e tem a Região Metropolitana. Todos eles, com as suas respectivas categorias, tem níveis quase nordestinos e nortistas de informalidade, sendo que aumentou muito nos últimos anos. Aumentou quase 7 pontos de porcentagem, o que é muito, é um crescimento três vezes maior que a média nacional”, enfatizou o economista da FGV, Marcelo Néri.

 

Sem ter como trabalhar nas ruas vendendo bebidas, o ambulante Lincoln Cardoso de Carvalho ficou sem renda. Ele está vivendo com a ajuda de terceiros. Ele tentou receber o Auxílio Emergencial de R$ 600, criado pelo governo federal, mas não conseguiu.

 

“É triste, né, tu saber que quer trabalhar, mas não pode. O governo te oferece uma coisa e te nega ao mesmo tempo. Eu já tenho três análises [do pedido para receber o benefício do governo] e não sai nada pra mim”, disse o ambulante.

 

Ainda segundo o levantamento da FGV Social, o Rio é a capital com a maior periferia do Brasil e a metrópole com a maior concentração de idosos nessa região.

“A periferia fluminense é a mais idosa de todas as periferias brasileiras. Então, o Rio de Janeiro tem uma vulnerabilidade em relação à pandemia por ter muitos idosos inclusive na periferia, que é lugar de jovens”, enfatizou o economista Marcelo Néri.

Os idosos, muitas vezes, sofrem ainda mais com a perda de renda. É o caso da costureira Jaciara da Silva Alves, que tenta se aposentar há um tempo, sem sucesso. Ela também teve negado o Auxílio Emergencial do governo e sobrevive agora com a ajuda de um projeto social.

 

“A gente tem um padrão de vida, né, aí de uma hora para outra a gente vê tudo se desmoronar. Aí o que a gente faz? Pede forças para Aquele lá de cima, né?”, disse a costureira Jaciara da Silva Alves, que também ficou sem renda alguma durante a pandemia. Com idade para se aposentar, ela disse a costureira.

O socorro financeiro para Jaciara vem do projeto Circo Crescer & Viver. A entidade mapeou todas as famílias que precisam de ajuda na região da Cidade Nova, no Centro do Rio, e distribuiu para elas cartões de vale refeição bancados pelas empresas da região.

“Esse trabalho, para além da ação de complementação de renda para esse idoso, ele envolve um levantamento epidemiológico da comunidade idosa do nosso entorno. Ou seja, ao longo de três meses a gente vai mapear qual é o comportamento do coronavírus nessa população", disse Junior Perim, fundador do Circo Crescer & Viver.

Segundo Perim, a expectativa é poder dar continuidade ao projeto mesmo após a pandemia. Ele enfatizou que cuidar dos idosos é uma tarefa de todos.

 

"A gente pretende dar continuidade na construção de um trabalho mais estruturado para essa população uma vez que o Rio é a cidade que mais envelhece e mais rapidamente no Brasil. Cuidar dos idosos, desenvolver uma comunidade de cuidado a uma população idosa, é uma tarefa de todos nós”, disse.
  • RIO DE JANEIRO

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