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PGR retoma negociações de delação premiada com advogado foragido Rodrigo Tacla Duran

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PGR retoma negociações de delação premiada com advogado foragido Rodrigo Tacla Duran

A primeira tentativa de acordo tinha sido rejeitada em 2018 pela própria procuradoria e envolveu o nome de um amigo do ex-ministro Sergio Moro, que disse ter ficado indignado com a retomada dos diálogos exatamente após sua saída do governo de Jair Bolsonaro.

PGR retoma negociações de delação premiada com advogado foragido Rodrigo Tacla Duran

 

A Procuradoria-Geral da República retomou as negociações de delação premiada com o advogado foragido da Justiça Rodrigo Tacla Duran. A primeira tentativa de acordo tinha sido rejeitada em 2018 pela própria PGR e envolveu o nome de um amigo do ex-ministro da Justiça. Sergio Moro disse ter ficado indignado com a retomada dos diálogos com Tacla Duran exatamente quando deixa o governo de Jair Bolsonaro.

A retomada das negociações para uma nova tentativa de delação do advogado Rodrigo Tacla Duran foi divulgada pelo jornal "O Globo". O advogado, foragido da Justiça, é apontado pela força-tarefa da Lava Jato como um operador financeiro da Odebrecht no exterior.

Tacla Duran responde a quatro ações penais por lavagem de dinheiro da corrupção. Ele foi alvo da 36ª fase da operação em novembro de 2016, mas estava fora do país. E, no mesmo ano, tentou um acordo de delação premiada para reduzir o valor da multa aplicada pela Justiça, de R$ 55 milhões.

Na época, Tacla Duran acusou o advogado Carlos Zucolotto, amigo pessoal do então juiz Sergio Moro, de ter recebido US$ 5 milhões para ajudá-lo a obter vantagens no acordo de delação. A Procuradoria-Geral da República investigou as denúncias e arquivou o caso em 2018, argumentando que não ficou comprovada a prática de crimes.

O vice-procurador geral da República à época, Luciano Mariz Maia, afirmou na decisão de arquivamento que "nada comprova negociação espúria entre os representados e Rodrigo Tacla Duran por intermédio de seu advogado, muito menos com participação do advogado Carlos Zucolotto Júnior”.

Segundo o jornal "O Globo", no início de maio, foi assinado um termo de confidencialidade para formalizar a fase preliminar das tratativas de acordo. A reportagem de "O Globo" afirma que Tacla Duran decidiu procurar Augusto Aras para nova tentativa de acordo por acreditar que o novo PGR não está alinhado com os procuradores da Lava Jato e, por isso, estaria disposto a ouvi-lo.

A retomada da negociação teve grande repercussão internamente na Lava Jato em Curitiba e em Brasília. Investigadores afirmam que não há elementos novos para desengavetar essa colaboração.

Rodrigo Tacla Duran é alvo de quatro ações na Justiça. Em março de 2020, a Justiça deu início aos procedimentos para tentar citá-lo na Espanha, onde o advogado mora atualmente. Até o momento, Tacla Duran não foi julgado em nenhuma das ações. O ex-ministro e ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro reagiu à decisão da Procuradoria-Geral da República, sob o comando de Augusto Aras, de retomar o processo de delação.

Em nota, Sergio Moro afirmou que "os relatos de Rodrigo Tacla Duran sobre a suposta extorsão que teria sofrido na Operação Lava Jato, com envolvimento de um amigo pessoal, Carlos Zucolotto Júnior, já foram investigados na Procuradoria-Geral da República e foram arquivados no dia 27 de setembro 2018, com parecer do então vice-procurador geral da República”.

Na ocasião, segundo Moro, "o relato não verdadeiro, prestado por acusado foragido do país, teve o destino apropriado: o arquivamento”. Moro diz que, “como sempre frisou, ninguém está acima da lei, por tal razão, se dispõe a prestar qualquer esclarecimento que se vislumbre necessário sobre os fatos”.

Moro disse ter ficado indignado com a retomada dos diálogos da PGR com Duran justo no momento em que deixa o governo de Jair Bolsonaro. Na nota, afirma estar perplexo e indignado que tal investigação, baseada em relato inverídico de suposto lavador profissional de dinheiro, e que já havia sido arquivada em 2018, tenha sido retomada e a ela dado seguimento pela atual gestão da Procuradoria-Geral da República logo após a sua saída, em 22 de abril de 2020, do governo do presidente Jair Bolsonaro". E Moro conclui: "Lamentando que mais uma vez o nome de um amigo seja utilizado indevidamente para atacar a ele e ao trabalho feito na Operação Lava Jato, uma das maiores ações anticorrupção já realizadas no Brasil. "

Em nota, a força tarefa da Operação Lava Jato afirmou que há diferentes linhas de investigação em curso, relacionadas a Rodrigo Tacla Duran, alguma das quais já conduziram a quatro ações penais a que responde no Brasil, por lavagem de dinheiro de centenas de milhões de reais, amparadas em provas como extratos de contas no Brasil e no exterior, e-mails e declarações de executivos de diferentes empreiteiras” e que a "força-tarefa não tem conhecimento de que a procuradoria-geral tenha informações sobre as linhas de investigação e outros potenciais envolvidos nos crimes, fatos que o colaborador deve esclarecer por força de lei, nem sobre o patrimônio do réu, fator igualmente imprescindível na celebração informada desse tipo de acordo".

O coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dalalagnol, diz que Tacla Duran tentou, insistentemente, enganar as autoridades no Brasil e na Espanha: "Ao longo do tempo, se coletaram uma série de provas que mostraram que ele reiteradamente tenta iludir as autoridades e induzir em erro para alcançar sua impunidade. Isso aconteceu, por exemplo, em relação à Interpol, onde ele alegou que ele não tinha mais um mandado de prisão vigente, que não tinha mais pedido de extradição vigente, quando isso era mentira, uma falsidade. Além disso, ele alegou perante autoridades nacionais e internacionais que as justificativas para as transações ilícitas que ele realizava eram contratos, mas esses contratos eram falsos. Ou seja, mais uma vez ele tentou perante o Brasil e perante autoridade de fora do Brasil iludi-las, enganá-las. Isso aconteceu também em outras ocasiões quando ele buscou justificar os seus recursos como se fossem de serviços advocatícios, quando na verdade eram operações de lavagem de dinheiro".

Dallagnol diz que as acusações de Tacla Duran nunca vieram acompanhadas de provas: "Rodrigo Tacla Duran fez falsas acusações contra autoridades. Elas foram objeto de uma apuração exaustiva na PGR, que concluiu que não existia qualquer substrato para aquelas acusações falsas que é, na realidade, quer em provas. E por isso aquelas acusações falsas foram arquivadas. Mas uma vez, é uma pessoa que responde a quatro ações penais hoje, responde por mais de uma centena de crimes de lavagem de dinheiro, é acusado de ter lavado centenas de milhões de reais, e que busca numa tática reiterada induzir em erro autoridades para alcançar sua plena impunidade".

A PGR declarou que não se manifesta sobre supostos acordos de colaboração.

A defesa de Rodrigo Tacla Duran afirmou que o cliente tem status de testemunha protegida, nos termos das convenções das Nações Unidas contra corrupção e crime organizado, o que implica sigilo amplo e irrestrito. E que pediu à Interpol para anular o alerta vermelho requerido pelo Brasil contra Duran.

  • SERGIO MORO

    G1

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