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Muita tristeza

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Muita tristeza

No dia 2 de setembro de 2018 nossos corações se despedaçaram e arderam no fogo que em poucas horas destruiu o Museu Nacional. Nessa noite os brasileiros perderam um pedaço importante da sua história e pré-história e nossas almas se mortificaram no meio do fogo e da fumaça.

No primeiro mês de 2019, no dia 25, a lama, em tragédia repetida, inundou Brumadinho e o Brasil. Uma calamidade humana de proporções inéditas. Barro e pó cobriram uma cidade e mais de trezentas vidas. Afogamento monstruoso.

No dia 6 de fevereiro a água e a chuva provocaram deslizamentos e mataram sete pessoas na cidade do Rio de Janeiro. Uma agonia apavorante que começou às 9 horas da noite de quarta-feira e se prolongou em mais dois dias de pânico sobretudo em regiões de encostas e pobreza.

No dia 8 de fevereiro o fogo se alastrou em oito segundos pelo alojamento onde dormiam treze jovens jogadores da base do maior clube de futebol do mundo, o Flamengo, no chamado Ninho do Urubu em Vargem Grande, zona oeste do Rio de Janeiro. Dez deles morreram consumidos pelo fogo, o calor e a fumaça.

No dia 11 de fevereiro balas da polícia vararam os corpos de treze jovens em três favelas do centro do Rio de Janeiro, os morros do Fallet/Fogueteiro, Coroa e Prazeres. Mortes que não assombram mais de tão comuns na cidade comandada por um bispo que parece preso às malhas de uma milícia perigosa.

Não conseguimos nos acalmar e nem fugir da dor e é espantoso ver as formas quase mágicas de explicação para fatos tão medonhos. As autoridades e os responsáveis ficam no tradicional empurra-empurra da culpa. Há quem diga ser a política que levou nossa esperança e confirmou o tradicional pessimismo sintetizado na frase – “O Brasil não tem jeito”. E nossos corações aos pedaços.

Esta semana, a imprensa e todos os meios de comunicação noticiaram que os arqueólogos que lutam nos escombros do Museu Nacional estão descobrindo muitas peças de grande valor em meio ao que sobrou das chamas, do calor e do desabamento do teto do Palácio de São Cristóvão.

 
 
Pesquisadores encontram itens em escombros do Museu Nacional — Foto: Reprodução/JNPesquisadores encontram itens em escombros do Museu Nacional — Foto: Reprodução/JN

Pesquisadores encontram itens em escombros do Museu Nacional — Foto: Reprodução/JN

Fragmentos da beleza e da riqueza que foram, com muito trabalho, formando o Museu Nacional ao longo dos últimos duzentos anos a nos lembrar que a vida continua e nosso papel agora é tentar juntar os cacos que guardam segredos seculares para com eles continuar o caminho.

Reconstruir, superar a tristeza e lutar para refazer o Brasil com os pedaços que vibram ainda pelas mãos de pessoas comuns e heroicas como os arqueólogos do Museu Nacional ou os bombeiros de Brumadinho que até hoje continuam revolvendo a lama endurecida para encontrar pedaços do que restou de muitas pessoas.

Arqueólogos reconstrutores do passado e bombeiros, exemplos do valor da solidariedade e da busca por amenizar a dor dos que vivem a vida cheia de gambiarras pequenas e grandes fruto da avareza dos poderosos. Talvez não seja apenas a ganância que mova a destruição dos outros, mas uma crença muito forte de que podemos viver sempre no improviso. Um sentimento de todos nós brasileiros que vivemos como se não houvesse amanhã.

G1

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