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Em seis meses, número de armas novas se aproxima do total dos 12 meses de 2019

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Em seis meses, número de armas novas se aproxima do total dos 12 meses de 2019

No primeiro ano do governo Jair Bolsonaro, a Polícia Federal registrou mais de 90 mil armas novas. E só em 2020, de janeiro a junho, quase 74 mil; mais da metade para cidadãos comuns.

13/07/2020 22h01  Atualizado há 13 minutos

Em seis meses, número de armas novas se aproxima do total dos 12 meses de 2019

Em seis meses, número de armas novas se aproxima do total dos 12 meses de 2019

 

Nos primeiros seis meses do ano, a Polícia Federal registrou um número de armas novas que se aproxima do total dos 12 meses de 2019.

O número de armas de fogo em circulação deu um salto em dez anos. Em 2009, a Polícia Federal registrou 19 mil armas novas. O número passou de 50 mil em 2018.

No primeiro ano do governo Jair Bolsonaro, a PF registrou mais de 90 mil armas novas. E, só em 2020, de janeiro a junho, quase 74 mil; mais da metade para cidadãos comuns.

Desde o início do governo, o presidente Bolsonaro, que é favorável ao armamento da população, vem tomando medidas para facilitar a compra e o porte de armas. São decretos, portarias e um projeto de lei que está em tramitação no Congresso. Ações que tornam armas e munições mais acessíveis.

Uma portaria publicada neste ano aumentou o limite para compra de munição para quem tem arma registrada: passou para 650 para quem faz parte das forças de segurança e para 550 para pessoas físicas. A portaria não está em vigor por causa de uma decisão da Justiça Federal em São Paulo.

Um decreto concedeu a colecionadores acesso a armas de maior potencial de fogo. Um fuzil semiautomático que antes não era permitido. A proposta que está no Congresso liberava o porte para mais categorias, mas foi modificada na Câmara e está em discussão em uma comissão do Senado.

O líder da oposição na Câmara, o deputado André Figueiredo, afirmou que o projeto precisa ser mais discutido: “Nós queremos que o Senado discuta exaustivamente essa matéria para que, inclusive, possa voltar pra Câmara, onde a discussão se deu apenas em plenário, e nós possamos aperfeiçoar e evitar justamente a proliferação indesejada de arma de fogo no nosso país”.

Em 2019, uma pesquisa do Ibope revelou que 73% dos entrevistados eram contrários à flexibilização de porte para cidadãos comuns e 26%, favoráveis. Em maio deste ano, o Datafolha mostrou que 73% dos entrevistados discordavam da fala do presidente que disse que: "queria todo mundo armado, pois o povo armado não é escravizado"; 24% concordaram com Bolsonaro.

Dados preliminares do Ministério da Saúde mostram que, em 2019, dos mais de 43 mil homicídios, quase 30 mil foram por arma de fogo.

O Instituto Igarapé, que monitora dados da área da segurança, afirma que as medidas adotadas pelo governo são contrárias ao que a população quer e não acompanham normas para o controle das armas.

“A gente não teve medidas que melhoraram, por exemplo, as nossas capacidades de marcação e de rastreamento de armas e munições. Essas capacidades, elas são fundamentais pra que a gente melhore a nossa investigação de crimes violentos, melhore as nossas condições de enfrentar o tráfico ilícito de armas e munições, impedindo que essas armas e munições que nascem na legalidade caiam nas mãos do crime”, explica a assessora especial do instituto Michele dos Ramos.

As regras para a compra, registro, porte e venda de armas e munição são estabelecidas por dois sistemas: o Sistema Nacional de Armas, da Polícia Federal, e o Sistema de Gerenciamento Militar de Armas, do Exército. A TV Globo pediu os dados ao Exército, mas não obteve resposta.

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