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Campanha incentiva mulheres a irem aos estádios para os jogos de futebol

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Campanha incentiva mulheres a irem aos estádios para os jogos de futebol

Federação Paulista de Futebol lançou a campanha "Elas no estádio" numa coletiva só para mulheres para os homens sentirem como é assistir a um evento à distância.

 

Futebol paulista faz campanha para atrair mulheres aos estádios

 

O campeonato paulista começou nesta quarta-feira (22) com um olhar mais atento às mulheres.

Arquibancadas vazias. Só assim para a professora Gracielle de Souza Silva entrar num estádio de futebol.

“Eu gosto de futebol desde sempre, mas nunca tive coragem de ir no estádio”, contou.

Os motivos que afastam as mulheres do estádio são muitos. Falta de segurança, medo do assédio e, antes de tudo isso, a falta de incentivo mesmo para ir assistir a um jogo ao vivo e de pertinho.

A maioria das torcedoras sofre desde cedo uma espécie de restrição social. Em 2019, apenas 14% do público total no campeonato paulista foi composto por mulheres.

“O pai não convida, o marido não convida, o namorado não convida, o irmão, o amigo. Então, às vezes, uma mulher, uma menina chega ali domingo à tarde e o pai e os irmãos foram para o estádio. Ela torce para o mesmo time e ninguém percebe isso", avaliou Aline Pelegrino, diretora de Futebol Feminino da FPF.

Para aumentar a presença feminina nos jogos, a Federação Paulista de Futebol lançou a campanha "Elas no estádio" e, na coletiva de lançamento, fez uma provocação.

"Bom dia. A coletiva hoje é só para as mulheres".

Os homens foram convidados a acompanhar o evento à distância.

“É o que acontece com a gente praticamente todos os dias, sempre. Então, se às vezes você não faz um momento pontual desse, para gerar essa empatia, para que as pessoas possam sentir esse desconforto, se não reconhece isso, não vai mudar”, disse Aline.

Entre as propostas da federação estão: atendimento especial às mulheres nos estádios, a abertura de um canal de denúncia, além de um programa de incentivo junto aos clubes.

Iniciativas semelhantes estão acontecendo em outras partes do país. Na Bahia, as torcedoras ganharam proteção com a ronda Maria da Penha, policiais treinadas especificamente para atender o público feminino em casos de assédio durante os jogos.

No Rio Grande do Sul, a federação gaúcha se uniu à Polícia Civil para combater os crimes de preconceito e discriminação no futebol.

O caminho para as mulheres se sentirem confortáveis nos estádios ainda é longo. Por isso, torcedoras se organizam e combinam de ir aos jogos juntas. O apoio não fica restrito apenas aos times em campo.

“Está na hora de a gente ser menos agressiva no discurso e mais ativa nas ações. Até porque só queremos nosso espaço", disse a universitária Alana Rocha.

Quem sabe assim a Gracielle não mude de ideia.

G1

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